para você. é, você mesmo!
pare de fazer o que está fazendo
por um segundo,
ouça no silêncio
o descompasso do meu coração
minha lira cantando longe
meu cancioneiro daqui.
ouça-me.
para você sempre
muito mais que um.
o mundo.
amo você, como se nunca...
guardo você como se sempre...
durmo
e hoje, ateu convicto
ainda rezo pedindo dias melhores
para você.
ouça. nada acaba
tudo se transforma.
meu amor...
É preciso mais que uma simples canção.É preciso sangue, suor e muita cerveja.
sábado, 21 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
crucificado
nem me importa agora o que disse Carlos,
vem como vem, esse expurgo absurdo
com as cascas de uma ferida exposta
na bosta de vida segura da cidade grande...
com asco e com nojo
outro mais que eu mesmo.
porra, quero viver.
lágrimas filosóficas
intelectuais teóricos
idiotas identificados,
eis a poesia de hoje
crônica, doentia,
branca, preta, azul
clara escura pele.
nem tem lógica eu sei.
que se fodam os racionais.
estou pendurado no poste apagado
pelado ao sol
apedrejado pelo ódio
pela ira
pelo desdem humano.
estou sangrando
e o sangue que escorre desce aos subterrâneos
beirando a calçada suja.
negro, doente
sózinho...
ator, escritor
sem normas ou regras.
eu odeio gente burra
odeio os livros
odeio os homens,
amando-os.
mas meu último suspiro
já foi dado há muito.
ai que merda.
atirem pedras, paus e tijolos
massacrem o seu semelhante
faminto.
executem a pena
porque os juízes de plantão
já o fizeram.
viva a morte.
vem como vem, esse expurgo absurdo
com as cascas de uma ferida exposta
na bosta de vida segura da cidade grande...
com asco e com nojo
outro mais que eu mesmo.
porra, quero viver.
lágrimas filosóficas
intelectuais teóricos
idiotas identificados,
eis a poesia de hoje
crônica, doentia,
branca, preta, azul
clara escura pele.
nem tem lógica eu sei.
que se fodam os racionais.
estou pendurado no poste apagado
pelado ao sol
apedrejado pelo ódio
pela ira
pelo desdem humano.
estou sangrando
e o sangue que escorre desce aos subterrâneos
beirando a calçada suja.
negro, doente
sózinho...
ator, escritor
sem normas ou regras.
eu odeio gente burra
odeio os livros
odeio os homens,
amando-os.
mas meu último suspiro
já foi dado há muito.
ai que merda.
atirem pedras, paus e tijolos
massacrem o seu semelhante
faminto.
executem a pena
porque os juízes de plantão
já o fizeram.
viva a morte.
sábado, 14 de novembro de 2009
nova bossa
compositor solitário. eis o vazio.
o nada. o oco. o íntimo sem som.
o silêncio grita em seus ouvidos
pedindo melodia... o carro,
a música, o suspiro, a noite,
o grilo na cidade grande preso a uma árvore.
no vazio se compõe a melhor canção,
limpa e límpida. com uma única nota.
e se ouve o primeiro verso quando pronta.
ao invés de '' meu amor eu te amo''
ouve-se apenas ''amo''.
ao invés de bateria, guitarra e percussão,
ouve-se uma nota só,
dedo no violão.
compositor solitário não se entristeça
pois este é o momento mais sublime da criação.
o nada. o oco. o íntimo sem som.
o silêncio grita em seus ouvidos
pedindo melodia... o carro,
a música, o suspiro, a noite,
o grilo na cidade grande preso a uma árvore.
no vazio se compõe a melhor canção,
limpa e límpida. com uma única nota.
e se ouve o primeiro verso quando pronta.
ao invés de '' meu amor eu te amo''
ouve-se apenas ''amo''.
ao invés de bateria, guitarra e percussão,
ouve-se uma nota só,
dedo no violão.
compositor solitário não se entristeça
pois este é o momento mais sublime da criação.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
teorias
tua grandeza está exposta, homem
desde o teu iluminismo francês,
desde o teu pessimismo alemão
e tua poesia parnasiana.
como folhas avulsas espalhadas ao vento.
sei que todos são e foram importantes
tanto quanto entender-te a ti mesmo,
mas o tempo é cruel com teus escritos
porque o homem e o mundo são cruéis.
mas tua sabedoria também espalhou outras folhas ao vento
e foram tantas que
resolveste procurar a simplicidade
e escrever poucas linhas
ou linhas mais suaves.
tua grandeza continuou à vista
mesmo assim.
sem que tu soubesses como omiti-la
ela se refez
e os louros de tua vitória
estão engavetados junto aos teus escritos simples.
e agora? como seremos se tu já o foste?
cantando estaremos sempre
ainda que os cancioneiros morram
e todas a simplicidades expressas
virem objetos de museus.
agora, continuaremos sendo.
tu a ti mesmo
nós aos outros.
desde o teu iluminismo francês,
desde o teu pessimismo alemão
e tua poesia parnasiana.
como folhas avulsas espalhadas ao vento.
sei que todos são e foram importantes
tanto quanto entender-te a ti mesmo,
mas o tempo é cruel com teus escritos
porque o homem e o mundo são cruéis.
mas tua sabedoria também espalhou outras folhas ao vento
e foram tantas que
resolveste procurar a simplicidade
e escrever poucas linhas
ou linhas mais suaves.
tua grandeza continuou à vista
mesmo assim.
sem que tu soubesses como omiti-la
ela se refez
e os louros de tua vitória
estão engavetados junto aos teus escritos simples.
e agora? como seremos se tu já o foste?
cantando estaremos sempre
ainda que os cancioneiros morram
e todas a simplicidades expressas
virem objetos de museus.
agora, continuaremos sendo.
tu a ti mesmo
nós aos outros.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
mais um relato na cidade em que nasci
o andarilho que passeia sob a lua
canta sorridente e impassível,
aprende mais que ensina
raciocínio miserável
descortina-se a canção.
a luz que lambe sua face
varre o universo,
não é dor o que sente
mas o carinho da seda sobre a pele
na noite que corre calma.
na avenida suja, cora de felicidade
sem saber o valor do sorriso que estampa,
despe-se não para o amor mas para a guerra.
a cidade o devora, as pessoas o devoram.
a carne sucumbe ao som dos automóveis na garoa.
chove calma a chuva descortinando a lua.
tudo parece igual ao que era antes
e a lua continuará até o mar, a chuva também,
enquanto o andarilho estiver altivo
seguirá procurando o equilíbrio necessário para a vida
pleno pelos quintais do mundo
e tudo será como sempre foi.
o que dirá ao mundo o andarilho
se perguntarem
sobre sua nudez, sua insanidade,
a lua e a garoa fina?
nada. nada precisa ser dito
tudo está.
canta sorridente e impassível,
aprende mais que ensina
raciocínio miserável
descortina-se a canção.
a luz que lambe sua face
varre o universo,
não é dor o que sente
mas o carinho da seda sobre a pele
na noite que corre calma.
na avenida suja, cora de felicidade
sem saber o valor do sorriso que estampa,
despe-se não para o amor mas para a guerra.
a cidade o devora, as pessoas o devoram.
a carne sucumbe ao som dos automóveis na garoa.
chove calma a chuva descortinando a lua.
tudo parece igual ao que era antes
e a lua continuará até o mar, a chuva também,
enquanto o andarilho estiver altivo
seguirá procurando o equilíbrio necessário para a vida
pleno pelos quintais do mundo
e tudo será como sempre foi.
o que dirá ao mundo o andarilho
se perguntarem
sobre sua nudez, sua insanidade,
a lua e a garoa fina?
nada. nada precisa ser dito
tudo está.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
desvirtuado
estou dizendo sim ao homem,
posso voltar a acreditar que tudo pode ser poesia
que egoisticamente meu umbigo abriu-se ao planeta,
pelo menos ao meu redor.
há em mim uma euforia por conta do simples ato de acreditar,como se os fantasmas que me acompanharam no palco por anos
resolvessem conspirar positivamente com meu cérebropara produzir muita cerotonina.
estou dizendo sim
quando ouço a grande MARIA com PESSOA em sua boca
ou CAETANO em sua voz,
quando vejo a beleza da crença no coração do homem do norte
mesmo que a chuva não venha logo
e que a palma verde seja o único alimento possível
para todos os ene filhos e bichos famintos,
quando vejo as baleias sonham com uma terra farta de preás
e o bucho cheio de vermes dê lugar à barriga alimentada
e a poeira que afasta DEUS de suas vidas
traga os DEUSES sempre discriminados,
com tanta água que a terra arrote
as sementes e o verde de seu útero,
ao ver os meninos mais conscientes, se um dia o forem, que os intelectuais
sem ter que vender os drops nas portas das igrejas
ao filhos de cristo, cada dia mais ricos.
sim ao homem quando o dia tornar a nascer
e ridiculamente possamos cantar
canções de bem-viver.
sim! hoje eu me rendo.
**ILUSTRAÇÃO : Niilismo, Andy Warhol.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
homem ao sol
assim que vier a manhã
me prenderei a ti,
tão fortemente que meus braços farão um laço
em tua cintura.
assim que romperes a nuvem-chumbo
beberei tua cor e tua luz
e salvarei na minha memória o beijo que te darei
com os lábios de um poeta melhor do que eu,
emprestados.
beijo destes que a gente nunca esquece
tecido com o carinho da alma
que madura habita o maduro jovem senhor
de cãs prateadas,
eu.
e antes que tu possas ir-te
estarei acenando no horizonte
com a memória do beijo guardado
no peito,
e os olhos umedecidos de tanta saudade
até que um novo dia se anuncie
prometendo o teu retorno triunfal
e todo o rito que descrevi
se reinicie.
domingo, 27 de setembro de 2009
O HOMEM VITRUVIANO, Leonardo da Vinci. Trata-se de um desenho famoso que acompanhava as anotações de Leonardo ao redor do ano de 1490. É um desenho baseado numa famosa passagem do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio em que em seu terceiro livro de um tratado de arquitetura, descreve as proporções do corpo humano. O desenho é considerado um símbolo da simetria do corpo humano para o universo. Foi apenas com Leonardo que o encaixe saiu corretamente perfeito dentro dos padrões matemáticos esperados.
As proporções matemáticas do corpo humano no século XV, por Leonardo são uma das grandes realizações que conduzem ao Renascimento Italiano.
O desenho atualmente, faz parte da coleção da Gallerie dell''Accademia, em Veneza, Itália.
eis
de fato o que é certo é que estou o tempo todo dentro de tudo,
como um animal que compõe a cadeia alimentar
engolindo e sendo engolido. o leão que ruge
a iena que ri. o gavião que caça.
o peixe que nada. o homem que existe.
o suposto ser decente que existe em mim
não me faz superior ao assassino. nem inferior.
talvez também eu o fosse, se...
momentos que variam em discordância concordante.
se um galo tece a manhã
estou nela,
se o sol clareia e ilumina
sou iluminado,
se as nuvens espessas escurecem o dia
sou a treva.
e assim se faz a magia sempre comigo ou sem mim,
invariavelmente.
egoísmo pensar que sou o único que sofre
o verdadeiro que diz
o especial que profere palavras escritas
o ator único,
o poeta inventor
ou o homem que tudo nega por ser o grande sabedor.
...
tudo está ou é ou transcende
ou passa ou fica ou rola
ou nada.
independe de mim.
mas faço parte de tudo.
de tudo o que é presente ou ausente.
assim, criei meus códigos
como todos os outros criaram ou criarão
porventura um dia.
apenas uma coisa faz com que eu acredite que sou único,
a despeito de não sê-lo também:
meu coito é meu.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
cusparada
tudo está para um.
para sempre onde o que se faça.
nunca é nada. nada é para sempre.
tijolos são barro
barro são tijolos.casas são lares e lares não são casas.
casas são coisas e coisas são tudo.
tudo o que ainda vai passar é coisa.
do lado de dentro dos olhos
capto cismado a mínima linha
que ao acaso se mistura com a palavra.
lhe interessa apenas o prazer,
as dores ficam nas gavetas.
tudo está para mim
porque nós somos eu
distantes de tu
para além de vós.grito
mastigo os cacosexpresso os ocos.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
palavras esparsas ( mais uma para Caetano Veloso)
estou aqui plantado tentando encontrar a perfeita melodia
mas o dia em que me vi nu eu era tão jovem
e queria ser tão bonito quanto você,
e queria ser tão bonito quanto você,
zoando no capô do carro e namorando sua voz no k7.
silêncio. fico no silêncio. não consigo a melodia.
cacete, como essa cara é lindo!
silêncio. fico no silêncio. não consigo a melodia.
cacete, como essa cara é lindo!
isso tudo é vanguarda? charada espessa. cobra caninana
ai. araçá azul, com fé em Deus eu não vou morrer tão cedo.
fico místico. cético de tudo. ateu de Deus.
fico em você.
fico em você.
eu te amo.
o umbigo e o oito
o que dizer do mundo?
o que pensar do homem?
nada. o homem está fadado a ser o que é.
as fórmulas escolhidas para o entendimento
são fórmulas.
fadados como estamos, nós homens
aos nossos holocaustos pessoais
o mundo se torna pequeno e não importa.
sempre será mundo e sempre será história.
o nosso umbigo reina imponente dentro do peito
a despeito do mundo.
as vezes acho que o umbigo deveria estar na testa.
a barriga é pretexto de moradia dele
a carne é material que o identifica,
um dia serviu de prato para o alimento, caminho,
enquanto habitávamos a barriga de nosso hospedeiro, era tudo.
depois do nascimento, o rompimento e pela primeira vez o mundo.
mas o umbigo continua sendo o grande elemento.
o que pensar do umbigo?
nada. é o umbigo.
assim como o coração,
é linguagem figurada.
já a mente, a cabeça habitada
transporta-nos para dentro de nós mesmos
e para fora e para o mundo.
ela é o verdadeiro umbigo dentro da cabeça
que só se rompe quando o fim chega.
e o fim é certo. sem efemérides ou poemas.
é apenas o fim. para muitos é continuação.
mas para ser mais nobre,
é apenas o fim de um ou de outro.
o oito continuará ileso e infinito
como nascimentos e mortes,
alfa e ômega. e isso é mais importante
quando se pensa no mundo.
o resto é poesia.
viva o oito.
o que pensar do homem?
nada. o homem está fadado a ser o que é.
as fórmulas escolhidas para o entendimento
são fórmulas.
fadados como estamos, nós homens
aos nossos holocaustos pessoais
o mundo se torna pequeno e não importa.
sempre será mundo e sempre será história.
o nosso umbigo reina imponente dentro do peito
a despeito do mundo.
as vezes acho que o umbigo deveria estar na testa.
a barriga é pretexto de moradia dele
a carne é material que o identifica,
um dia serviu de prato para o alimento, caminho,
enquanto habitávamos a barriga de nosso hospedeiro, era tudo.
depois do nascimento, o rompimento e pela primeira vez o mundo.
mas o umbigo continua sendo o grande elemento.
o que pensar do umbigo?
nada. é o umbigo.
assim como o coração,
é linguagem figurada.
já a mente, a cabeça habitada
transporta-nos para dentro de nós mesmos
e para fora e para o mundo.
ela é o verdadeiro umbigo dentro da cabeça
que só se rompe quando o fim chega.
e o fim é certo. sem efemérides ou poemas.
é apenas o fim. para muitos é continuação.
mas para ser mais nobre,
é apenas o fim de um ou de outro.
o oito continuará ileso e infinito
como nascimentos e mortes,
alfa e ômega. e isso é mais importante
quando se pensa no mundo.
o resto é poesia.
viva o oito.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
o beijo ( para Luís Carlos)
esperei que o dia amanhecesse. a noite havia sido muito difícil,
sem estrelas, nublada, sem sonhos bons.
no pesadelo que tive, o único do qual me lembro ao acordar,
eu morria numa pedra alta, com a cidade ao longe,
como um lagarto estirado sobre a superfície dura.
ao amanhecer
nenhuma recordação que me fizesse sentir melhor, apenas o vazio triste
das imagens capturadas no sono. no sonho.
abrindo a janela o dia estava cinza. mais cinza que o normal.
de uma escuridão-chumbo, sem um filete qualquer de claridade
que ousasse romper as nuvens.
mas eu tinha você. por mais que tudo fosse horrível
havia você ali, sentado ao meu lado.
misteriosamente, depois do beijo que você me deu ao acordar
as nuvens se dissiparam e o deus-sol abriu-se em flor
tão magistralmente que nem os homens poderiam detê-lo
com toda a sua avançada tecnologia.
os dias são muito melhores com você, meu amor.
sem estrelas, nublada, sem sonhos bons.
no pesadelo que tive, o único do qual me lembro ao acordar,
eu morria numa pedra alta, com a cidade ao longe,
como um lagarto estirado sobre a superfície dura.
ao amanhecer
nenhuma recordação que me fizesse sentir melhor, apenas o vazio triste
das imagens capturadas no sono. no sonho.
abrindo a janela o dia estava cinza. mais cinza que o normal.
de uma escuridão-chumbo, sem um filete qualquer de claridade
que ousasse romper as nuvens.
mas eu tinha você. por mais que tudo fosse horrível
havia você ali, sentado ao meu lado.
misteriosamente, depois do beijo que você me deu ao acordar
as nuvens se dissiparam e o deus-sol abriu-se em flor
tão magistralmente que nem os homens poderiam detê-lo
com toda a sua avançada tecnologia.
os dias são muito melhores com você, meu amor.
sábado, 19 de setembro de 2009
interrogação
hoje homem feito preocupo-me com a morte.
choro sózinho
pois não sei o que há, se há, do outro lado
no inexistente.
sinto-me repleto de tristeza e saudade do que não estiver comigo,
se eu estiver em algum lugar
ou se eu simplesmente estiver.
o que os livros sagrados me dizem não me consolam
e a vontade desesperada das beatas em fazerem as pazes com Deus
são apenas ainda mais ridículas aos meus olhos que duvidam.
hoje homem feito
definitivamente não quero o outro lado
embora sua possível existência não me preocupe.
sinto-me farto de tanta alegria por tal liberdade.
choro sózinho
pois não sei o que há, se há, do outro lado
no inexistente.
sinto-me repleto de tristeza e saudade do que não estiver comigo,
se eu estiver em algum lugar
ou se eu simplesmente estiver.
o que os livros sagrados me dizem não me consolam
e a vontade desesperada das beatas em fazerem as pazes com Deus
são apenas ainda mais ridículas aos meus olhos que duvidam.
hoje homem feito
definitivamente não quero o outro lado
embora sua possível existência não me preocupe.
sinto-me farto de tanta alegria por tal liberdade.
limitação
do alto a lua inteira me observa.
me observa porque observa a todos,
altaneira, branca espuma em meus olhos.
este poema, apenas um desenho pálido
do que não posso definir.
a lua, meus olhos e a espuma-névoa instalada em minha alma.
quantas vezes já procurei o cavaleiro sobre o cavalo branco?
éramos meninos e brincávamos de adivinhar desenhos no branco.
infância breve, espírito inalcançável, imcompreensível.
no ar pesado, em mim
transborda o copo de leite
e a lua branca não cabe nos meus versos
porque é o que é,
e eu incapaz apenas abraço-a.
me observa porque observa a todos,
altaneira, branca espuma em meus olhos.
este poema, apenas um desenho pálido
do que não posso definir.
a lua, meus olhos e a espuma-névoa instalada em minha alma.
quantas vezes já procurei o cavaleiro sobre o cavalo branco?
éramos meninos e brincávamos de adivinhar desenhos no branco.
infância breve, espírito inalcançável, imcompreensível.
no ar pesado, em mim
transborda o copo de leite
e a lua branca não cabe nos meus versos
porque é o que é,
e eu incapaz apenas abraço-a.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
paralelas
antes da cidade se abrir para nós
éramos muitos. continuamos muitos,
mas sós.
no meio da estrada foram abrindo-se bifurcações.
e corremos feito crianças de apartamento
amassando a grama desesperados.
a cidade era sedutora quando éramos meninos-homens.
meninos vivos são seduzidos com facilidade.
é a história natural. evoluir e crescer.
avançar estágios
achar caminhos. o sexo tem boa parte da culpa.
a inocência morre. a euforia cresce.
o cigarro fácil. o beijo fácil.
o coito improvisado.
no tempo em que os homens tinham outras máscaras
éramos presas fáceis da cidade fastástica, perigosa.
mas os homens continuam com todas as máscaras.
ninguém é comum.
ninguém é ruim ou bom. somos.
ser é avançar estradas
criar calos,
tornar-se homem.
abandonar as tetas.
os animais quando desmamam partem em busca de sua vida própria.
queríamos nossa vida própria.
queríamos as canções, o vinho, o cigarro,
a bagana barata.
o barato.
e agora temos a cidade.
nossa cidade de mil faces
sob a face hipócrita.
éramos muitos. continuamos muitos,
mas sós.
no meio da estrada foram abrindo-se bifurcações.
e corremos feito crianças de apartamento
amassando a grama desesperados.
a cidade era sedutora quando éramos meninos-homens.
meninos vivos são seduzidos com facilidade.
é a história natural. evoluir e crescer.
avançar estágios
achar caminhos. o sexo tem boa parte da culpa.
a inocência morre. a euforia cresce.
o cigarro fácil. o beijo fácil.
o coito improvisado.
no tempo em que os homens tinham outras máscaras
éramos presas fáceis da cidade fastástica, perigosa.
mas os homens continuam com todas as máscaras.
ninguém é comum.
ninguém é ruim ou bom. somos.
ser é avançar estradas
criar calos,
tornar-se homem.
abandonar as tetas.
os animais quando desmamam partem em busca de sua vida própria.
queríamos nossa vida própria.
queríamos as canções, o vinho, o cigarro,
a bagana barata.
o barato.
e agora temos a cidade.
nossa cidade de mil faces
sob a face hipócrita.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
meninos da vida
O que éramos nunca foi importante.
Éramos nós. Os meninos esquecidos
Num bairro pobre de um país sem recursos
No meio de uma metrópole rica,
No centro pobre da América Latina.
Sem hospitais
Nem escolas.
Muitas vezes sem pão.
E isso não era ruim. Vivíamos sem a consciência do que éramos.
Vivíamos.
Mas o circo havia. O circo era nosso.
Éramos mestres do nosso picadeiro.
As janelas abertas davam-nos outras visões.
O quintal de terra
O velho abacateiro
O pé de pêra.
Os cães gordinhos de comer angu
Que nunca souberam o que era veterinário.
Éramos vida.
Muitas vidas em perninhas secas sujas de terra vermelha,
Com catarro no nariz
Correndo atrás da bola murcha.
Éramos meninos-homens
Meninos-feios
Meninos-magros
Meninos doentes
Meninos-criativos.
Crescemos querendo abrir mais portas que janelas.
E quando fomos amadurecendo
As janelas tornaram-se mais importantes
Como se no horizonte
Buscássemos a perspectiva para o desejo de um bom desenho.
Hoje continuamos esquecidos. De um outro modo.
Hoje somos mais responsáveis por nosso próprio esquecimento.
Hoje somos homens querendo ser meninos
Homens feitos
Homens feios
Homens doentes
Homens vazios,
Com um talão de cheques no bolso
E um carro velho na garagem.
Hoje comemos macarrão com frango
E assistimos muita televisão aos domingos.
E cada domingo é ainda mais vazio.
Hoje somos pouco mais compostos.
E continuamos sempre chegando
Passando
Atravessando
As pontes de nossas ‘’ babilônias ‘’.
Outras agora. Novas. Nossas.
Hoje, viver é um outro reflexo. Outro deus.
Hoje conhecemos Narciso.
Éramos nós. Os meninos esquecidos
Num bairro pobre de um país sem recursos
No meio de uma metrópole rica,
No centro pobre da América Latina.
Sem hospitais
Nem escolas.
Muitas vezes sem pão.
E isso não era ruim. Vivíamos sem a consciência do que éramos.
Vivíamos.
Mas o circo havia. O circo era nosso.
Éramos mestres do nosso picadeiro.
As janelas abertas davam-nos outras visões.
O quintal de terra
O velho abacateiro
O pé de pêra.
Os cães gordinhos de comer angu
Que nunca souberam o que era veterinário.
Éramos vida.
Muitas vidas em perninhas secas sujas de terra vermelha,
Com catarro no nariz
Correndo atrás da bola murcha.
Éramos meninos-homens
Meninos-feios
Meninos-magros
Meninos doentes
Meninos-criativos.
Crescemos querendo abrir mais portas que janelas.
E quando fomos amadurecendo
As janelas tornaram-se mais importantes
Como se no horizonte
Buscássemos a perspectiva para o desejo de um bom desenho.
Hoje continuamos esquecidos. De um outro modo.
Hoje somos mais responsáveis por nosso próprio esquecimento.
Hoje somos homens querendo ser meninos
Homens feitos
Homens feios
Homens doentes
Homens vazios,
Com um talão de cheques no bolso
E um carro velho na garagem.
Hoje comemos macarrão com frango
E assistimos muita televisão aos domingos.
E cada domingo é ainda mais vazio.
Hoje somos pouco mais compostos.
E continuamos sempre chegando
Passando
Atravessando
As pontes de nossas ‘’ babilônias ‘’.
Outras agora. Novas. Nossas.
Hoje, viver é um outro reflexo. Outro deus.
Hoje conhecemos Narciso.
fotografia muda
nasci em família pobre. meu pai era operário,
minha mãe fazia serviços de costura para confecções.
o bairro pobre e a vida humilde fizeram-me entender muito da vida.
brincávamos com a criatividade inventiva dos artistas.
todos éramos escultores natos.
nossos brinquedos eram feitos de pau: espingardas, carrinhos tortos, estilingues.
cinco ou seis, talvez dez meninos brincando com os brinquedos feitos de pau.
e quase nunca tínhamos os brinquedos anunciados na televisão.
mas tínhamos muito mais que os brinquedos de pau.
tínhamos a infância.
trazer a poesia desse tempo para o papel? impossível.
é como tentar ser pintor sem ter a sacação necessária dos matizes.
corríamos sempre morro-abaixo morro-acima, diariamente,
com um velho carrinho feito com rodas de rolimãs
que comprávamos numa mecânica do bairro.
e descobríamo-nos assim.
o tempo foi nos afastando, como sempre acontece.
meninos que viram mocinhos e mocinhos que viram homens.
pequenos homens responsáveis
com seus pelos e pernas crescendo.
e a voz engrossando.
que saudade do tempo em que eu era um menino,
dos brinquedos de pau
das ladeiras dos carrinhos de rolimã.
e da pobreza-rica da minha infância.
minha mãe fazia serviços de costura para confecções.
o bairro pobre e a vida humilde fizeram-me entender muito da vida.
brincávamos com a criatividade inventiva dos artistas.
todos éramos escultores natos.
nossos brinquedos eram feitos de pau: espingardas, carrinhos tortos, estilingues.
cinco ou seis, talvez dez meninos brincando com os brinquedos feitos de pau.
e quase nunca tínhamos os brinquedos anunciados na televisão.
mas tínhamos muito mais que os brinquedos de pau.
tínhamos a infância.
trazer a poesia desse tempo para o papel? impossível.
é como tentar ser pintor sem ter a sacação necessária dos matizes.
corríamos sempre morro-abaixo morro-acima, diariamente,
com um velho carrinho feito com rodas de rolimãs
que comprávamos numa mecânica do bairro.
e descobríamo-nos assim.
o tempo foi nos afastando, como sempre acontece.
meninos que viram mocinhos e mocinhos que viram homens.
pequenos homens responsáveis
com seus pelos e pernas crescendo.
e a voz engrossando.
que saudade do tempo em que eu era um menino,
dos brinquedos de pau
das ladeiras dos carrinhos de rolimã.
e da pobreza-rica da minha infância.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
hoje eu sei
hoje eu sei que quando abrir as minhas janelas
tudo continuará como era antes.
mas continuarei procurando do que falar.
dos excluídos
dos lembrados
dos que nada tem a dizer...
de mim.
muito a oferecer?
será que seria?
hoje eu sei. aqui eu olho dentro dos seus olhos.
leio-o.
leia-me então.
tudo continuará como era antes.
mas continuarei procurando do que falar.
dos excluídos
dos lembrados
dos que nada tem a dizer...
de mim.
muito a oferecer?
será que seria?
hoje eu sei. aqui eu olho dentro dos seus olhos.
leio-o.
leia-me então.
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